segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Hiato entre hífens...


...ou seria um aposto? Não, não, isso seria entre vírgulas. Putz! Que venha o Acordo Ortográfico. E, que venha logo. Pra acabar com essa agonia.
Em um país onde deputado tem castelo (pasmem!), não declara ao Leão (corriqueiro), como se surpreender com os fatos que vão se acumulando, dia após dia, nos noticiários? Casos como este, não são surpresa e apenas reiteram a certeza de que, apesar de a Idéia Original caminhar a passos seguros rumo à evolução e melhoria da raça humana, ainda estamos longe de alcançar o ideal divino. É pena! Mas, é fato.
Em contrapartida (com hífen, sem hífen ou separado? Aliás, 'hifen' tem acento, de agora em diante?), de vez em quando, assistimos na grande mídia informações de que a humanidade vai para bom objetivo, em golfadas de soluços oníricos. São momentos como os que aconteceram em Floripa (Florianópolis, capital do estado irmão, Santa Catarina), por ocasião da catástrofe que as águas vertidas dos céus causou. Foram dias de angústia propiciada pelas enchentes. Nesses momentos, a solidariedade de vizinhos, de estranhos, de amigos ocultos pelas campanhas que surgem essas horas demonstram que o homem tem jeito, sim.
O solitário que habita esses momentos dá lugar ao solidário que mora em todos nós! Interessante...em um ano marcado pela repercussão da nova ortografia, quão conveniente é notar a semelhança diferente entre duas palavras tão distintas, apenas díspares, graficamente, em um 't' e um 'd'.
'T' de teimoso, seria? O ser humano é solitário quando teima em ficar só, mesmo rodeado de dezenas? E, ao sentir a desolada impotência daqueles que sofrem o desatino das intempéries, acorre em laivos de tresloucada cidadania – tão pueril em dias de dólares na cueca e castelos não de areia, porém, de reais subtraídos do erário – por socorrer o irmão catarinense desconhecido.
Deixamos de atender ao mendigo passante por nossa porta, mas, socorremos ao sofredor distante.
Seria o cotidiano da miséria, ou a grandeza da desgraça alheia que nos envolve, a impelir-nos céleres em favor do infeliz distante? Qual a medida disso tudo? Enfim...a vida segue seu curso, indiferente a quaisquer lucubrações. Até que a enchente deságüe (tão bonito, com trema e acento agudo), perfazendo o caminho natural e perene das águas, levando vidas e criando outras.
É! É a vida...mudando e transformando, como modificações ortográficas, apenas sentidas e auferidas pelos que conhecem as nuanças da escrita. Bah! No geral, quem se importa? São apenas letras, caracteres que se irão tal qual me vou cada dia mais um pouco, rumo à eqüidistância das reticências...até o derradeiro ponto final desta vida.
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