sexta-feira, 3 de abril de 2009

Falência ou Recuperação Judicial? Tanto faz o tipo de chicote, pois o lombo é o mesmo


Graças ao amigo jornalista, Samir Alouan Bernardes, veio até nossa redação blogueira, esta matéria na qual é exposta a situação da empresa em questão. Leia e depois, tire suas conclusões, que tiro as minhas.


Nilza entra com pedido de recuperação judicial e fecha posto instalado em Comendador Gomes

Colaboração: Jornalista Samir Alouan

A Indústria de Alimentos Nilza, uma das maiores produtoras de leite longa vida e de laticínios do País, comunicou na sexta-feira (27) que ingressou com um pedido de recuperação judicial, distribuído à 4ª Vara Cível de Ribeirão Preto (SP), onde fica sua sede. No comunicado, a companhia informa que "sofrendo os efeitos da grave crise financeira mundial, que afeta fortemente as empresas brasileiras, a Nilza, após várias tentativas de renegociação com instituições financeiras credoras, teve como única saída impetrar o pedido de recuperação judicial".

A Nilza informa ainda que a atitude visa superar "a crise econômico-financeira que está enfrentando, o que lhe permitirá a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores, ao mesmo tempo em que preservará os interesses dos credores". Em dezembro do ano passado, o dono da Nilza, Adhemar de Barros Neto, afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que a dívida da companhia era de R$ 200 milhões, parte dela oriunda da aquisição da mineira Montelac.

Na operação, R$ 120 milhões foram aportados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BDNES), que passou a ter 35% da empresa, de acordo com o empresário. À época, Neto disse ainda que tinha utilizado recursos próprios repor o capital de giro da empresa e que renegociara R$ 13 milhões com fornecedores.

Procurada pela reportagem, a empresa não se manifestou sobre o valor do endividamento e não confirmou as demissões que ocorreram nas duas unidades da companhia - em Ribeirão Preto e em Itamonte (MG) - de acordo com fontes da Nilza ouvidas pela Agência Estado. "Trata-se de um esforço para minimizar os impactos sociais que a crise financeira representa, uma vez que hoje dependem da Nilza mil empregados diretos, 10 mil empregos indiretos, 30 representantes comerciais, 17 distribuidores e 50 vendedores dos distribuidores", informou.

No documento a diretoria da Nilza informa ainda que "espera contar com o apoio de todos no esforço para a normalização financeira e recondução da empresa no rumo do pleno desenvolvimento empresarial", conclui. A antiga Leites Nilza foi adquirida por Neto em 2005 após enfrentar uma crise quando era administrada por um pool de cooperativas paulistas e mineiras. Após investimentos e lançamento de produtos, a Nilza voltou ao mercado e respondia por cerca de 15% das vendas de leite longa vida de São Paulo.

Até o inicio deste ano o laticínio empregava, além de mil funcionários diretos, dez mil indiretos, além de 17 distribuidores e 50 vendedores. No ano passado, a Nilza chegou a atingir um pico de produção diária de 1 milhão de litros. Parte dos produtores de leite – entre eles, fornecedores da região – está há mais de três meses sem receber o pagamento da produção pela indústria. Um compromisso firmado para quitação (ler BOX) também não foi cumprido pela empresa.

A unidade de recebimento da Nilza em Comendador Gomes foi fechada da sexta-feira (27) – no dia em que o pedido de recuperação judicial foi anunciado. Sem emitir comunicado, as portas amanheceram fechadas. No local, homens fazem a segurança, temendo represálias dos pecuaristas. Até o início dos problemas da empresa, no mês de novembro do ano passado, o posto recebia em média 90 mil litros por dia.  

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Presidente do Sindicato Rural

lamenta fechamento da Nilza 

Assessoria de Imprensa

Por Samir Alouan 

Ao saber do fechamento da unidade da Nilza em Comendador Gomes, o presidente do Sindicato Rural de Frutal, Mauri José Alves, lamentou o fechamento de mais um laticínio e colocou a assessoria jurídica do SRF a disposição dos produtores-rurais. “É lamentável acompanharmos o fechamento de mais uma empresa no Baixo Vale do Rio Grande, isso poderá complicar ainda mais a situação do setor”, manifestou.

Mauri Alves informou que o que esteve ao alcance do Sindicato Rural de Frutal foi feito para evitar o fechamento da unidade em Comendador Gomes. “Com registro de atrasos de pagamentos, nos unimos ao presidente do Sindicato Rural de Comendador Gomes, Wáter Ferreira da Cruz, e estivemos em Ribeirão Preto. Cobramos a quitação da dívida e eles (a diretoria) nos garantiram que iriam pagar”, explicou.

O presidente Mauri Alves destacou que desde quando foi comunicado dos problemas da Nilza acompanha a situação de perto, mas afirma que não esperava o fechamento da unidade. “Ninguém espera isso, trata-se de um grupo grande, responsável por grande parte da produção de leite no Estado de São Paulo. Espero que a diretoria da empresa cumpra, pelo menos, o compromisso firmado com os produtores-rurais”, ressaltou.

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Bem! A Lei de Recuperação Judicial (Lei nº 11.101, de 9 de fevereiro de 2005), veio proteger aos envolvidos no processo de quebra/fechamento de uma firma, aonde todos perdem. Ou seja, 

Art. 47. A recuperação judicial tem por objetivo viabilizar a superação da situação de crise econômico-financeira do devedor, a fim de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores, promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e o estímulo à atividade econômica. (BRASIL, 2005, art. 47).

Mas, a verdade é outra, dentro da realidade comercial brasilera. Estão fechando unidades da Nilza e ninguém está fazendo nada. Empregos são jogados fora, com consequentes demissões e perdas. "Na prática, a teoria é outra" como diria Joelmir Beting. Ou como digo eu "Brasil, um país de TOLOS!"

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